Caso Bruno: Acusação admite possibilidade de acordo com a defesa, caso o ex-goleiro confesse o assassinato de Eliza Samudio

Postado por: Editor NJ \ 4 de março de 2013 \ 0 comentários


CONTAGEM – O advogado José Arteiro, assistente de acusação no caso do goleiro Bruno Fernandes, admitiu, na manhã desta segunda-feira, a pouco minutos do início do julgamento, a possibilidade de um acordo com a defesa do jogador. Isso se Bruno confessar a morte de Eliza Samudio. O acordo, segundo Arteiro, serviria para que o goleiro pegar uma pena menor:
— Ninguém quer destruir o Bruno. Queremos que ele pague pelo que fez. A expectativa é de que saia condenado. Mas é ele mesmo que vai fixar a pena.
O advogado disse, ainda, ter conversado pessoalmente com Luiz Henrique Romão, o Macarrão, condenado em novembro do ano passado a 12 anos por sequestro, cárcere privado e homicídio triplamente qualificado de Eliza. Para Arteiro, Macarrão é “jagunço” de Bruno.
— Ele não fez nada. O Bruno é que joga toda a culpa na morte do Macarrão — disse o assistente de acusação.
'Se Deus quiser vai dar tudo certo', diz mãe da modelo
Sonia de Fátima Moura, mãe de Eiliza Samudio, chegou ao Tribunal do Júri calada e abatida. Acompanhada da advogada Maria Lúcia Borges, ela não quis falar muito.
— Estou muito ansiosa. Se Deus quiser, vai dar tudo certo — disse, apenas.
A segunda fase do julgamento sobre o caso da morte da modelo Eliza Samudio começou às 9h40m. A juíza Marixa Fabiane Lopes analisou questões preliminares apresentadas pela defesa dos réus. Vinte e cinco jurados foram convocados, sendo 17 mulheres e oito homens, mas só 15 compareceram. Foram chamados 10 suplentes para compor o conselho de sentença. Cinco mulheres e dois homens vão definir o destino do goleiro. De agora em diante, a expectativa é de que júri possa ser iniciado. As testemunhas arroladas pelo MP serão as primeiras a serem interrogadas: a delegada Ana Maria dos Santos; a assistente social, que acompanhou o depoimento de Jorge Luiz - menor de idade na época - Renata Garcia da Costa; o primo de Bruno, Jorge Luiz Lisboa Costa; Jailson Alves de Oliveira, detento que teria ouvido Bola dizer ter jogada cinzas de Elisa no mar. As testemunhas de Bruno são Jorge Luiz Lisboa Rosa, primo de Bruno; e Amir Borges Mattos. Já as testemunhas de Dayanne Rodrigues são Célia Aparecida Rosa Sales, tia de Bruno; Paulo César Batista dos Santos; e Maria de Fátima Ruas Souto dos Santos.
Os advogados do ex-goleiro Bruno pedirão a anulação da certidão de óbito da modelo Eliza Samudio, ex-amante do jogador, para tentar impedir que ele seja condenado. O documento foi expedido após determinação da juíza Marixa Fabiane Rodrigues Lopes, em janeiro deste ano. Para a defesa, a certidão pode contribuir para a condenação de Bruno, pois confirma a morte de Eliza. Bruno é acusado de homicídio triplamente qualificado.
— Ela (Marixa) não tem competência para determinar a expedição dessa certidão. Isso é competência do juízo cível. E no documento tem a hora exata da morte da Eliza. Como ela pode saber tão precisamente isso? — questionou o advogado Francisco Simim.
Bruno e sua ex-mulher, Dayanne Rodrigues - acusada do sequestro e cárcere privado de Bruninho, filho do goleiro com Eliza -, já estão no Tribunal do Júri de Contagem, em Minas Gerais. Ele chegou às 8h10m e ela, cerca de dez minutos depois. Bruno saiu algemado do Presídio Nelson Hungria, onde está preso. Já Dayanne responde em liberdade.
Francisco Simim - que também defende Dayanne - disse ter estado com ambos na semana passada. Segundo ele, Bruno está tranquilo, apesar de apreensivo. O advogado visitou o goleiro na sexta-feira. Já Dayanne, ainda de acordo com Simim, está “absolutamente relaxada”:
— Ela tem a certeza de que não cometeu crime algum. Não existe nem estratégia de defesa em relação a ela justamente porque a Dayanne não fez nada.
MP solicita abertura de novo inquérito
A pedido do Ministério Público (MP), um novo inquérito foi instaurado para apurar o envolvimento do policial civil Gilson Costa; do policial aposentado José Lauriano de Assis Filho, o Zezé; e do advogado Ércio Quaresma, no caso sobre a morte de Eliza Samúdio. Costa é co-réu no processo do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, sobre o desaparecimento e morte de duas pessoas em Esmeraldas, na Região Metropolitana de BH, em 2008. Bola e Costa pertenciam ao extinto Grupamento de Respostas Especiais (GRE). Segundo o MP, eles mantiveram inúmeros contatos telefônicos no período em que Eliza foi mantida em cativeiro no sítio do ex-goleiro, inclusive no dia da morte dela.
Segundo sustenta o MP, Bola teria ido até Santos, no litoral de São Paulo, atrás de Eliza. Nessa época, ela vivia escondida na casa de uma amiga. Ainda conforme o MP, Bola foi detido no litoral paulista por porte ilegal de arma. Mas o boletim de ocorrência não foi registrado porque Quaresma teria subornado policiais paulistas. "Estão falando que dei propina para policiais de São Paulo. Desde já, disponibilizo meus sigilos bancários e fiscal para o promotor de Justiça", declarou hoje Quaresma, em entrevista.
Bola é acusado de matar e ocultar o corpo de Eliza e responde ainda pelo desaparecimento, tortura e morte de duas pessoas no extinto centro de treinamento do GRE, em Esmeraldas. Da turma de Bola no curso da Polícia Civil de Minas, Zezé teve o telefone rastreado e, em pelo menos 37 vezes, foi flagrado falando com Macarrão. Em uma das conversas, falou 15 minutos antes de Eliza ter sido trazida do Rio para Minas e nos dias em que permaneceu sequestrada no sítio. Zezé apresentou Bola a Bruno e Macarrão. Gilson Costa, segundo o MP, conversou com os policiais investigados no período em que Eliza esteve em Minas.
Primo de Bruno disse que Bruninho quase morreu
Em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, há duas semanas, o primo do goleiro Bruno e primeira pessoa a confirmar à polícia a morte de Eliza Samudio, Jorge Luiz Rosa acusou Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, de ser o principal culpado pelo assassinato da modelo. Ele foi, no entanto, contraditório em relação à participação do ex-goleiro: primeiro, afirmou que o primo não sabia de nada, depois disse ser impossível ele não ter ideia dos planos de Macarrão — condenado há três meses pela morte de Eliza.
Jorge contou ainda que recebeu uma proposta de Macarrão para matar a atual mulher do ex-goleiro, Ingrid Calheiros, em troca de R$ 15 mil. Segundo Jorge, isso ocorreu antes da morte de Eliza, assim que ele passou a morar na casa de Bruno, no Recreio dos Bandeirantes, onde Macarrão também vivia. O rapaz foi para lá por ter contraído uma dívida com a compra de drogas. Ele afirmou que se negou a fazer o que Macarrão tinha sugerido, porque percebeu que Ingrid fazia bem a Bruno.
Jorge, que mudou o depoimento quatro vezes durante a investigação, também revelou ao “Fantástico” detalhes sobre o sequestro e a morte de Eliza, em junho de 2010. Ele e Macarrão teriam ido, a pedido de Bruno, ao hotel onde ela estava com o filho, Bruninho, sob o pretexto de levar a criança ao médico. Depois que Eliza entrou no carro, começou uma discussão entre ela e Macarrão, que teria dado socos na jovem, com a ajuda de Jorge, como ele mesmo confessa.
Com Eliza machucada, Macarrão decidiu levá-la à casa de Bruno, para fazer curativos, de acordo com Jorge. Ele contou que o ex-goleiro ficou espantado ao ver a amante. Em depoimento à Justiça, no entanto, Bruno negou que ela estivesse machucada naquela noite. Segundo Jorge, na mesma ocasião, todos viajaram para Minas. Quanto ao motivo da viagem, ele tem a mesma versão de Bruno: Eliza teria ido por vontade própria para receber R$ 30 mil, que Bruno entregaria a ela em Belo Horizonte. Lá, Macarrão teria levado Jorge, Eliza e o filho até uma casa isolada.
— Eu fiquei esperando do lado de fora enquanto o Macarrão entrou com a Eliza e o filho. Depois de uns 40 minutos, veio o Macarrão só com a criança. Ele só disse que o problema dele estava resolvido, mas que teríamos que dar um jeito de explicar ao Bruno.
Jorge revela que o plano era Bruninho também morrer:
— Macarrão me disse que o menino só não morreu porque quem matou a Eliza não quis fazer nada com a criança — afirmou, sem citar o nome de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, com julgamento marcado para 22 de abril e acusado de ter matado a jovem.
Jorge, que hoje tem 19 anos, foi solto após cumprir dois anos de medida socioeducativa. Ele era menor de idade na época do crime.
Após a entrevista, o advogado Eliézer Jônatas de Almeida Lima deixou a defesa de Jorge. Segundo informações do jornal “Extra”, o advogado não aprovou a entrevista dada pelo seu ex-cliente.
— Ele (Jorge) não me consultou e não gostei da postura dele comigo. Estou deixando de ser o advogado dele — disse Eliézer.

Fonte: O Globo

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