A mulher advogada e a igualdade no trabalho

Postado por: Editor NJ \ 26 de junho de 2013 \ 0 comentários

Vivemos um processo, desde meados do século XX, de afirmação da mulher no mercado de trabalho. Apesar de serem muitas as dificuldades que enfrentamos para conquistar nosso espaço profissional, principalmente na tentativa de conciliar o cuidado dos filhos e do lar com nossa carreira, temos conquistado nosso espaço e somos cada vez mais numerosas e representativas.

No caso da mulher advogada, a luta pela igualdade entre os sexos é simbolicamente importante, uma vez que optamos por uma profissão historicamente dominada por homens, que até hoje carrega muito machismo em suas instituições. Não há dúvida, por exemplo, que ainda hoje, a imagem simbólica de um advogado de sucesso ou um juiz de destaque é de um homem, branco, de meia idade e trajando terno. Somos, assim, excluídas a priori do mundo do Direito.

No entanto, felizmente, este cenário vem se alterando nos últimos anos, tendo-se registrado um aumento da participação feminina tanto nos cursos, quanto nas profissões do universo jurídico. Os números mostram essa evolução:

Segundo dados divulgados em março pelo Conselho Federal da OAB, houve aumento no número de registros de advogadas mulheres, sendo que do total de 696.864 profissionais em atividade no Brasil, 384.152 são do sexo masculino e 312.712 do sexo feminino, quase 45% do total. Na OAB-SP, a presença crescente da mulher advogada também se mostra presente: se em 2006 percentualmente éramos 44% de mulheres e 56% de homens (respectivamente, 93.245 e 116.948), em 2012 o percentual feminino passou para 46% (107.347 mulheres e 124.122 homens).

Indo além, outros dados permitem que compreendamos a situação da mulher no atual contexto da advocacia brasileira. Segundo recentes informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais - 2005), baseados nos empregos formais, do total de 51.551 advogados registrados, 45% são mulheres, predominantemente mais jovens e com menores remunerações que o contingente masculino.

Nessa perspectiva, merecem nossa especial atenção as advogadas profissionais liberais, que possuem uma realidade de trabalho ainda mais difícil, já que além de enfrentarem todo o sexismo da profissão, tem maiores dificuldades nos momentos de maior fragilidade da mulher no mercado de trabalho, como na gravidez ou no cuidado de filho pequenos, uma vez que não possuem resguardados os direitos trabalhistas à licença e salário maternidade, a estabilidade no emprego e as pausas para amamentação.

Ademais, a mulher advogada, assim como outras trabalhadoras, sofre ainda com a necessidade de conciliação entre a carreira e o cuidado dos filhos e do lar. Isso é ainda mais difícil para a profissional liberal, uma vez que seu trabalho depende de sua presença no escritório e de sua liderança profissional, o que muitas vezes obriga a mulher a optar entre trabalho ou família, não conseguindo equilibrar as duas incumbências.

Deriva da incumbência que recai sobre a mulher de cuidar da família e da casa, a dificuldade que encontramos para chegar a cargos de chefia e de concentração de poder. Por conta do papel que nossa sociedade atribui à mulher, temos nossos horários restritos por conta da dupla jornada, o que mitiga nossas possibilidades de ascensão na carreira, já que nos tiram disponibilidade de tempo, assim como a possibilidade de enfocar apenas no trabalho, já que somos exigidas em casa, por filhos, pais e maridos.

Vale dizer que o papel social da mulher no trabalho de casa vem associado não apenas às tarefas que ela assume, mas a uma mentalidade de que somos menos capazes que os homens, ou que devemos a eles subordinação. Disso decorre a objetificação da mulher, principalmente no ambiente de trabalho, que nos torna “símbolos sexuais” e faz com que o sexo feminino seja o que mais sofre assédio moral e sexual. Isso sem falar na violência doméstica, agressões que tem como alvo específico a mulher, que são o auge do machismo em nossa sociedade.

Não podemos mais aceitar essa situação que recai sobre os ombros das mulheres e, principalmente, das advogadas. Precisamos lutar para que coloquemos um ponto final no preconceito e na violência de gênero, buscando apoio de lideranças que estejam preocupadas com as questões atinentes ao sexo feminino, e não apenas com interesses próprios e pessoais.

Nesse sentido, é preciso que prestemos atenção, pois há homens dispostos a lutar pela igualdade entre os sexos, ao mesmo tempo em que há também mulheres que não estão comprometidas com a luta feminina. Portanto, precisamos estar ao lado de lideranças corajosas, independentes e idealistas, que realmente lutem por melhorias para todos, capazes de agir positivamente para que mudanças sejam vistas em um futuro próximo.

Por Sônia Mascaro Nascimento - Advogada e consultora trabalhista
Fonte: www.soniamascaro.com.br

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