Veja como garantir a segurança das comunicações feitas pela internet

Postado por: Editor NJ \ 17 de junho de 2013 \ 0 comentários

O mundo virtual está cada vez mais perigoso. Tal como o mundo real. A internet, extremamente útil, mas traiçoeira, obriga os usuários a se preocuparem com spywares, malwares, sneakwares, phishing e outros "softwares maliciosos" — além do vírus de cada dia. As notícias de que o governo americano e o britânico têm capacidade de interceptar informações que correm pela web, de qualquer cidadão do mundo, trouxeram mais preocupações. E lembram aos operadores da Justiça uma fragilidade particular: a quebra da confidencialidade se tornou fácil no mundo virtual.

O assunto da segurança na internet voltou a esquentar. Jornais e sites especializados, como o ExtremeTech, Surveillance Self-Defense e o The Guardian, começaram a publicar dicas de proteção às comunicações pela internet e por telefone. Algumas coisas podem ser feitas, como mascarar o endereço de IP do dispositivo conectado à internet, usar criptografia em todas as comunicações — embora isso possa ser uma tarefa complexa — ou dar preferência à rede privada virtual (VPN), entre outras.

Porém, a bisbilhotice de órgãos de segurança não é a única preocupação. É preciso dar maior importância à segurança de tudo o que se faz na internet, especialmente a comunicações confidenciais, movimentação de contas bancárias e uso de cartões de crédito. Assim, antes de mais nada, cada usuário que queira fechar a porta a ladrões de informações, mensagens, documentos, dados de cartão de crédito e de conta bancária tem de criar sua própria política de segurança. E isso começa pela coisa mais simples: a criação de senhas seguras.

Há recomendações que não são novas, mas que também não são muito observadas. Por exemplo, senhas para redes sociais e de qualquer site que exige um login para ser usado não podem ser as mesmas para acessar aplicativos de correspondência e envio de arquivos confidenciais por e-mail, dropbox ou qualquer protocolo de transferência de arquivos (FTP). E as senhas usadas para gerir contas bancárias e cartões de crédito têm de ser diferentes de todas elas e entre si.

É uma recomendação difícil de se colocar em prática. Afinal, seriam tantas senhas que poucos conseguiriam memorizá-las. Porém, existem formas de amenizar a situação. Uma é criar sistemas próprios. Outra é usar programas de gerenciamento de senhas. Um exemplo é o LastPass, que "lembra" todas as credenciais de login do usuário e preenche automaticamente os campos, se o usuário quiser. As senhas são armazenadas e um "keylogger", um programa que registra tudo o que é digitado — o mesmo keylogger que, muitas vezes, é usado para a criação de spywares, softwares de phishing, etc.

Assim, só é preciso lembrar a senha desse programa — uma senha que tem de ser inesquecível, obviamente, para que todas as senhas não fiquem eternamente perdidas no keylogger. O LastPass trabalha com todos os navegadores mais populares da internet e tem uma versão gratuita — uma versão "gratuita", com um preço: o usuário é obrigado a conviver com mensagens publicitárias. Para se livrar delas e desbloquear algumas funcionalidades para comunicações móveis, é preciso fazer uma assinatura anual que, nos EUA, custa US$ 12 por ano.

A alternativa seria fazer anotações em uma caderneta e colocá-la na gaveta. Não das senhas, em si, porque isso seria um disparate. Mas de palavras ou frases que fazem você se lembrar da senha e que só você pode decifrar. Por exemplo, qual é a senha da anotação "Viagem mais sonhada", para sua conta no banco? A resposta é "Aporue+2015". Sua viagem dos sonhos é ir à Europa em 2015. Europa de trás para a frente é "Aporue". O "mais" na anotação é o sinal "+".

Outro exemplo: qual é a senha da anotação "Chico e telefone" para o cartão de crédito? Resposta: "menCacoe&1243". Chico, filho de amigos, falava essa palavra "mencacoe", quando tinha três anos. Inesquecível. O telefone da família terminava em 1243. O "e" da anotação é o sinal "&". Você, certamente, conseguirá criar coisas melhores.

Se você conhece palavras de algum dialeto ou de um idioma pouco popular, pode encontrar palavras para a senha e colocar a anotação em português na caderneta. Palavras que constam de dicionários são mais facilmente descobertas e, portanto, não devem ser usadas. É preciso ser criativo: fabricar palavras, usar palavras de idiomas pouco conhecidos, utilizar palavras excêntricas inesquecíveis, escrever palavras de trás para a frente. A senha deve ser formada por essa palavra, com o uso de letras maiúsculas e minúsculas (nem sempre na primeira letra; às vezes pode estar na sílaba acentuada) ou, ainda, números e sinais (como *, +, &, $ e outros).

O nível de segurança das senhas tem de ser muito alto. Mas o que se faz é o contrário. A senha mais popular do mundo, por exemplo, é "monalisa" — muito fácil de decifrar para os peritos. A maioria das senhas ainda é formada por uma palavra ou duas palavras emendadas, em letras minúsculas, como era uma exigência no passado.

Existe toda uma ciência, hoje, sobre a atividade de "quebrar" senhas, que é longamente analisada em um estudo do professor da Universidade de Cambridge Joseph Bonneau.

Não cair nas garras de hackers, sejam os malandros cibernéticos ou oficiais dos altos escalões governamentais de uma nação poderosa, é mais uma questão de bom senso do que de alta ciência. Não ter um sistema pessoal seguro de senha, clicar em um link enviado por qualquer meio, em vez de digitá-lo no campo para a URL no navegador, abrir anexos enviados por e-mail por desconhecidos são riscos que desafiam o bom senso.

Inimigo oculto
No entanto, todos os esforços para se criar uma senha segura podem ser inúteis se um spyware que registra toques no teclado se instalar em seu computador. Assim, um bom programa de proteção contra vírus, spywares e outros softwares maliciosos é indispensável, apesar de usuários avançados reclamarem que eles reduzem o desempenho do computador. Mas isso é brincar com fogo. Um software malicioso e sorrateiro pode se instalar no computador, sem deixar o menor sinal.

Muitos sites obrigam o usuário a se registrar para que tenha acesso a seu conteúdo. No mínimo, você terá de informar ao site, aos órgãos de segurança dos EUA e ao mundo seu endereço de e-mail, nome de usuário e senha. Mas há uma maneira de dar a volta por cima nessa exigência, em vez de utilizar a "monalisa" mais uma vez. O software BugMeNot, por exemplo, permite ao usuário utilizar contas de login compartilhadas. É uma maneira de ver conteúdo gratuito sem realmente se registrar.

Fazer atualizações constantes do sistema operacional também é uma medida necessária. No entanto, sistemas operacionais como o Windows só fazem a atualização de seus próprios softwares ou aplicativos. Não detectam necessidades de atualização de outros softwares, como Adobe Flash, Firefox etc. O Personal Software Inspector (PSI), gratuito, faz uma auditoria do sistema e aponta todos os programas que precisam ser atualizados.

Para as firmas de advocacia, a forma mais segura de proteger seus e-mails com informações confidenciais ainda é a criptografia e, frequentemente, a autenticação das mensagens. Isso impede que o conteúdo do e-mail seja lido por bisbilhoteiros. Existem diversas ferramentas para criptografar mensagens de e-mail, que usam chaves públicas e privadas. Geralmente, a ferramenta de criptografia automática é paga. A gratuita tem de ser trabalhada manualmente.

Java Script, Java, Flash, Silverlight e outros plugins são ferramentas interessantes, às vezes necessárias, mas também são perigosas. Assim, é bom instalar um software que bloqueia o JavaScript e outros, a não ser para os sites que o usuário confia. Por exemplo, quem usa o Firefox pode instalar a extensão NoScript, que se baseia em uma lista de exceções (whitelist) de sites seguros para permitir a execução de JavaScript, Java, Flash e demais plugins. Em outras palavras, é um programa que considera todos os sites "culpados", até que se provem inocentes.

Entretanto, a senha dos sonhos a ser "quebrada", para os criminosos cibernéticos, é a do cartão de crédito. E a perícia deles é certamente maior do que os dotes computacionais dos usuários comuns da Internet. Por isso, uma nova prática vem se popularizando nos EUA, aos poucos: solicitar a alguma administradora de cartão de crédito um limite baixo, como, por exemplo, de US$ 200. O saldo desse cartão é mantido sempre o mais baixo possível. Quando se quer fazer uma compra pela internet, esse é o cartão a ser usado.

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