'O crime compensa', critica advogado da CPT sobre decisão da Justiça

Postado por: Editor NJ \ 24 de julho de 2013 \ 0 comentários

Assassino da irmã Dorothy cumprirá restante da pena em prisão domiciliar.
Rayfran Sales cumpriu 8 anos da sentença de 27 anos de condenação.


O advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Batista, em entrevista exclusiva ao G1, nesta quarta-feira (3/7), comentou a decisão da Justiça do Pará que determinou que Rayfran das Neves Sales, assassino confesso da missionária norte-americana Dorothy Stang, irá cumprir o restante da pena de 27 anos em regime domiciliar.

"O crime compensa, né? Se a pessoa cumprir cinco anos de pena, aqui no Pará ninguém vai deixar de receber encomenda de morte. São altos valores à custa de cinco anos de prisão. Isso é uma vergonha, ele é o acusado de ser o executor do crime, que é bárbaro, ser o autor da morte de uma missionária de mais de 70 anos. Aí cumpre pouco mais de cinco anos em regime fechado e com oito anos fica livre para ficar em casa, tranquilo. Isso é um estímulo à impunidade!", critica Batista.

Para a irmã Margarida Pantoja, integrante do Comitê Dorothy Stang, a sensação de impunidade estimula os jovens a cometer crimes. "Infelizmente aconteceu isso em 2005. Lutamos para que esse caso não caísse no esquecimento. A sensação é terrível. Não de não acreditar na Justiça, mas a lei favorece o criminoso. No Brasil, é fácil matar. Você mata alguém e daqui a pouco está livre. Nós não perdemos o projeto que ela tocava, mas perdemos a irmã Dorothy", lamenta.

O advogado da CPT afirma ainda que a impressão é de que a justiça foi feita está distante do que é decidido nos tribunais. "Passa para a sociedade, no momento na condenação, que está se fazendo justiça. Mas na hora da execução, a pena está muito distante do que a pessoa de fato cumpre. A sociedade não tem essa informação. O júri tem a imagem que ele vai cumprir tudo, mas de 30 anos para pouco mais de cinco em regime fechado é uma diferença muito grande", ressalta José.

A irmã Margarida afirma também que o sistema legislativo brasileiro favorece a impunidade no país. "Isso cria e reforça na juventude esse sentimento. Isso é uma escola para a juventude, que pensa: eu posso matar, eu posso cometer crimes, porque daqui a pouco eu vou estar livre de novo. E é isso que o movimento está fazendo nas ruas, pedindo por mudanças políticas, por mudanças nas nossas leis, no nosso poder judiciário. Também é preciso rever o que acontece no presídio. A proposta é o condenado cumprir a pena dele e sair como uma pessoa que vai estar integrada à sociedade, mas será que é assim?", questiona.

Crime

Dorothy Stang foi morta a tiros em fevereiro de 2005 em Anapu, no Pará. Segundo a Promotoria, a missionária foi assassinada porque defendia a implantação de assentamentos para trabalhadores rurais em terras públicas que eram reivindicadas por fazendeiros e madeireiros da região.

Dorothy trabalhou durante 30 anos em pequenas comunidades da Amazônia pelo direito à terra e à exploração sustentável da floresta.

Os dois pistoleiros que a mataram, Rayfran das Neves Sales e Clodoaldo Carlos Batista, e o homem que os contratou, Amair Feijoli da Cunha, foram julgados e condenados.

Fonte: G1

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