Após discurso de Obama, ONU discute entrega de armas químicas da Síria

Postado por: Editor NJ \ 11 de setembro de 2013 \ 0 comentários

Os países integrantes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) discutem nesta quarta-feira a apresentação de uma resolução que regule a entrega de armas químicas sob controle do regime do ditador da Síria, Bashar al-Assad.

A medida ganhou ontem o apoio do presidente Barack Obama que, em pronunciamento oficial, deu apoio ao projeto, que foi sugerido pela Rússia na segunda (9) e recebeu o apoio do governo sírio na terça (10), dando a entender que entregaria o armamento.

No entanto, o americano mostrou ceticismo em relação ao comprometimento de Damasco e fez um novo apelo à população de seu país para aprovar o uso da força, se for necessário. Washington planeja a ação armada como represália ao suposto ataque químico que deixou centenas de mortos em 21 de agosto.

Nesta quarta, os membros permanentes do Conselho de Segurança discutirão o projeto, em negociações que diplomatas afirmam que serão tensas. Segundo um integrante da delegação francesa, Moscou vetará dois pontos da proposta feita na terça por Paris.

Os russos, principais aliados de Assad, discordam da condenação ao ditador pelo ataque químico e que o caso seja referido ao Tribunal Penal Internacional. Assim como não querem que Damasco seja punido com uma intervenção ocidental caso não entregue seu arsenal de destruição em massa.

Como uma forma de evitar um novo fracasso no Conselho de Segurança, Paris e Washington impulsionam uma proposta para verificar o desarmamento sírio. Mesmo assim, a Presidência francesa informou nesta quarta que continuará mobilizada para sancionar o uso dos agentes químicos por Assad.

Em comunicado, o gabinete de François Hollande afirmou ter a intenção de explorar todas as vias existentes na ONU, "para permitir o quanto antes um controle efetivo e verificável das armas químicas presentes na Síria".

REAÇÕES

O apoio de Obama ao projeto russo de entrega de armas químicas foi visto com ceticismo por um de seus principais detratores, o Irã. O líder supremo da República Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, disse esperar que a promessa americana de tentar retirar as armas químicas seja séria.

"Eu tenho esperanças de que a nova atitude dos Estados Unidos com relação à Síria seja séria e não um jogo com a mídia. Durante semanas eles ameaçaram com uma guerra contra o povo desta região para o benefício dos sionistas [Israel]", disse o líder durante um pronunciamento publicado pela agência Isna.

Por outro lado, a oposição síria, que pede uma ação armada ocidental para recuperar o território perdido para o regime, se mostrou decepcionada com o discurso do presidente americano. Para o porta-voz do Exército Sírio Livre, Loay al-Miqdad, a negociação dará mais tempo a Assad.

"Não acreditamos que esse adiamento vá parar a matança do povo sírio feita pelo regime ou beneficiará o povo sírio. Isso dará mais tempo para Assad e cada minuto que passa significará mais sangue derramado e que ele continuará matando e nada mudará".

Já o Conselho de Coordenação Nacional, um dos principais grupos da oposição no interior da Síria, propôs que Moscou receba as armas químicas de Damasco. O projeto prevê que o arsenal químico seja entregue pelos russos no futuro, após ser formado um governo de transição.

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