Justiça nega pedido de liberdade para mãe suspeita de matar filhas

Postado por: Editor NJ \ 28 de setembro de 2013 \ 1 comentários

Crimes 'bárbaros' e 'personalidade deturpada', escreveu juíza sobre mulher.
Mary Knorr foi presa no dia 14 e está internada num hospital de São Paulo.


A Justiça de São Paulo negou o pedido da Defensoria Pública para soltar Mary Vieira Knorr, presa preventivamente suspeita de matar as filhas no Butantã, na Zona Oeste da capital, neste mês. Caso a mulher tenha alta médica do Hospital Universitário, onde está internada desde 14 de setembro, deverá ser transferida para uma cadeia da Polícia Civil até que consiga vaga no sistema prisional, onde pode permanecer até um eventual julgamento.

“Sua prisão se faz necessária para a garantia da ordem pública porque se imputa a Mary a prática de crimes gravíssimos e bárbaros, pois, praticados contra as próprias filhas, a ensejar uma maior reprovabilidade social e a demonstrar a princípio que ela possui uma personalidade deturpada e incompatível com o conviver em sociedade”, escreveu a juíza Lizandra Maria Lapenna, na decisão desta quinta-feira (26).

De acordo com a magistrada, a permanência de Mary no hospital caberá à análise dos médicos que a acompanham. A Polícia Civil solicitou um exame de insanidade mental para saber se ela é inimputável (não pode responder por seus atos), é semi-imputável (responde parcialmente por suas atitudes) ou é imputável (pode ser responsabilizada criminalmente pelo que fez).

“Agora irei analisar o inquérito para saber se vou oferecer denúncia contra ela pelos crimes”, comentou a promotora Mildred de Assis Gonzales.

A representante do MP poderá apresentar denúncia contra Mary à Justiça pelos assassinatos das irmãs Giovanna, de 14 anos, e Paola Knorr Victorazzo, de 13, e do cão. A suspeita é que as vítimas foram asfixiadas. São aguardados, no entanto, os laudos necroscópicos que irão apontar se elas foram esganadas ou intoxicadas por gás de cozinha.

A Defensoria Pública havia entrado na segunda-feira (23) com um pedido de liberdade provisória para a mulher. A alegação era que ela não possui condenação criminal para continuar detida preventivamente. O órgão alegava que os processos que ela responde por estelionato e apropriação indébita ainda não foram concluídos.

A Defensoria Pública também havia sugerido que Mary fosse mantida internada no hospital, “tendo em vista o estado de saúde debilitado em que ela se encontra e consequente necessidade de cuidados médicos".

O G1 não conseguiu localizar o advogado Lindenberg Pessoa de Assis, que se identificou como advogado de Mary, para falar sobre o assunto nesta terça-feira (24).

O crime


O crime provavelmente ocorreu em 12 de setembro, na casa onde todos moravam no Butantã. Vizinhos ainda disseram ter visto Mary passear com o cão no dia seguinte, o que aumenta a suspeita de que a mulher velou as filhas por dois dias. Os corpos, no entanto, só foram encontrados por policiais militares no dia 14, quando a mulher foi presa em flagrante porque teria confessado o crime. A Polícia Militar foi à residência atender um chamado de vazamento de gás. Como Mary não atendia as ligações de seus outros filhos, eles acionaram a PM.

Segundo a Polícia Militar, a mulher estava “alterada” e confessou que matou as adolescentes. Para a investigação, ela pode ter tido um “surto” desencadeado por problemas financeiros ou divergências com as filhas. Por esse motivo, até esta sexta-feira, Mary continuava internada no Hospital Universitário, na região Oeste da capital, onde está presa sob escolta de policiais militares. Segundo o delegado Gilmar Contrera, do 14º Distrito Policial, a mulher se recusou a ser interrogada. “Ela fazia de conta que estava dormindo”, havia dito o delegado que concluiu o inquérito na segunda-feira.

Ainda na semana passada, o advogado da suspeita tinha falado à equipe de reportagem que iria entrar com um pedido de liberdade para a cliente. Segundo Lindenberg de Assis, ela precisa de tratamento psiquiátrico e não de prisão.

De acordo com a investigação, Mary se identificava como corretora de imóveis, mas não possui registro no Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci). Além disso, a mulher é investigada pela Polícia Civil por suspeita de estelionato e apropriação indébita porque estaria se passando por corretora e usando o nome de uma imobiliária de “fachada” para enganar pessoas que queriam comprar imóveis. Há a suspeita que ela tenha conseguido R$ 214 mil em golpes.

Segundo o delegado, a mãe respondeu também por maus-tratos. O policial, porém, não soube informar se a acusação era de que teria maltratado as filhas. Segundo a investigação, a mãe era rigorosa com as filhas, chegando a pregar um papel na geladeira com tarefas das meninas e punições caso não as cumprisse. As filhas relatavam nas redes sociais divergências com a mãe.

Fonte: G1.com

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