Sem acordo, Justiça tem 48 horas para decidir sobre ocupação na USP

Postado por: Editor NJ \ 9 de outubro de 2013 \ 0 comentários

Terminou sem acordo a reunião de conciliação entre estudantes e reitoria, na 12ª Vara da Fazenda Pública do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), que tinha o objetivo de solucionar o impasse sobre a ocupação do prédio da administração da USP (Universidade de São Paulo).  A Justiça tem agora 48 horas para decidir se aceita ou não a liminar que determina a reintegração de posse do local.

Segundo informações fornecidas pela assessoria de imprensa do TJ-SP, durante a reunião, os estudantes pediram que a reitoria mudasse a postura estabelecida até então, e se posicionasse de maneira aberta ao diálogo, para então desocupar o prédio. Já os representantes da USP, afirmaram que a universidade exige a imediata desocupação do local e declarou que não haverão negociações enquanto o prédio estiver com a presença dos alunos.

A reunião aconteceu no Fórum Hely Lopes Meyrelles, localizado na região central da Cidade. Adriano Laroca foi o magistrado responsável por presidir a sessão, e também está encarregado da decisão sobre a concessão da liminar para a desocupação. Também participaram do encontro representantes da Adusp (Associação dos Docentes da USP) e do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP). Na porta do Fórum, cerca de 100 estudantes protestavam com cantos e palavras de ordem contra a direção da USP.

“Funcionários e professores tentaram convencer a reitoria a abrir o diálogo. No entanto, a USP negou o diálogo. Os representantes da universidade ligaram várias vezes para o reitor, mas a resposta foi que não tem negociação. Vamos esperar pelo pior”, afirmou Magno de Carvalho, diretor do Sintusp. O sindicato tem assembleia marcada para a próxima quinta-feira (10/10), onde os funcionários vão decidir se acatam ou não o indicativo de greve já aprovado anteriormente.

Estudantes

De acordo com Pedro Serrano, um dos representantes do DCE que participaram da reunião, a postura assumida pela reitoria foi “irresponsável” frente ao atual cenário em que se encontra a universidade.

“A reitoria não foi capaz de dar um passo atrás em relação a sua posição. Nós estamos dispostos a conversar e não saímos sem diálogo. Consideramos que esta foi uma atitude irresponsável da reitoria, pois a situação pode acabar como em 2011. Estudantes não são bandidos”, afirmou Serrano.

No ano de 2011, em protesto contra a presença da Polícia Militar no campus da Cidade Universitária, estudantes ocuparam o mesmo prédio em questão. Na época, após pedido de reintegração de posse concedido pela justiça, tropas da PM desocuparam o local e mais de 70 estudantes acabaram presos.

O estudante declarou ainda que os alunos lamentam o pedido de reintegração de posse feito pela atual reitoria. Ele classificou a atitude assumida pela USP como “absurda”. “Os professores e os funcionários estão nos apoiando. Mais de 50% dos cursos da USP e a USP Leste estão em greve”, disse.

Arieli Tavares, também diretora do DCE, ressaltou que, durante a audiência, o juiz responsável pela reunião demonstrou um “entendimento completo” da situação dos alunos, mas que ainda assim, a reitoria não aceitou negociar. “Esta postura da reitoria só fortalece a nossa mobilização”, declarou a estudante. Magno de Carvalho também afirmou que o juiz tentou dialogar com os representantes da reitoria: “O juiz tentou convencer eles [representantes] da USP, mas eles não cederam”.

Pedro Serrano afirmou ainda que os alunos pretendem agora ampliar a sua mobilização pelas ruas da cidade. Nesta quarta-feira (9/10), os estudantes pretendem fazer um ato da região da Avenida Paulista. A concentração está marcada para às 16 horas, no vão do MASP (Museu de Arte de São Paulo.

Os jornalistas presentes no local não puderam acompanhar a reunião presencialmente. Todas as declarações foram dadas na saída do Fórum Hely Lopes Meirelles logo após o término da reunião, que teve duração de aproximadamente 2 horas e meia. Representantes da reitoria da USP e dos professores deixaram o prédio por outra saída e não deram declarações à imprensa.

Ocupação

No dia 1º de outubro, após terem o acesso negado para acompanhar a reunião do Conselho Universitário da USP, um grupo formado por estudantes e funcionários da Universidade ocupou o atual prédio da administração central. A principal reivindicação dos alunos é pelo direito à participação direta nas eleições para reitor, com votos paritários, de igual peso entre todos os integrantes da comunidade acadêmica.

Na reunião do dia 1º, que acabou acontecendo à portas fechadas, o Conselho Universitário negou a proposta de eleições diretas. Hoje, o reitor da USP é definido por escolha direta do governador do estado, após a definição da chamada "lista tríplice". Os três nomes dos candidatos à reitor são escolhidos após o voto de colégios eleitorais, compostos, em sua maioria, apenas por professores titulares.

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