As crianças e o divórcio

Postado por: Editor NJ \ 5 de novembro de 2013 \ 0 comentários

Em duas décadas, a taxa de divórcios no Brasil subiu 200%. Muitos destas famílias dissolvidas têm filhos pequenos, o que pode tornar o rompimento ainda mais traumático. Nesta matéria, a psicóloga do Prontomed Infantil, Gorete Oliveira, explica como pais podem preservar os filhos em um momento de tantas mudanças na vida da família.

Segundo a especialista, a atitude dos pais diante de um divórcio deve variar de acordo com a idade da criança envolvida. “Crianças menores de cinco anos não têm capacidade de compreender tudo aquilo que está acontecendo. Por isso, os pais devem dar um período de adaptação para aquele filho. Mesmo depois de separados, devem tentar continuar saindo juntos, em família, explicando apenas que o papai ou a mamãe está indo morar em outra casa, sem muitos detalhes, mas sem uma ruptura brusca. Dando um período de transição para a criança”, explica Gorete.

Já as crianças com idade superior a cinco anos já têm uma capacidade melhor de compreender a realidade. “Nestes casos, os pais podem ter uma conversa mais direta com a criança, dizendo que estão se separando e explicando brevemente os motivos do rompimento. É importante deixar claro que o filho não tem qualquer culpa na separação dos pais e ressaltar sempre que a separação não vai mudar a relação afetiva já estabelecida”, esclarece a psicóloga.

Além dos cuidados na hora de revelar a notícia para os filhos, outras dicas podem ajudar a manter a tranqüilidade dos pequenos mesmo diante da separação dos pais. Confira.

1.Evite brigas na frente das crianças, antes e depois do divórcio. O bom clima em casa é importante para a saúde física e emocional dos pequenos.

2.O ex casal deve mostrar que é capaz de manter uma convivência pacífica diante da criança, para que ela se sinta segura e feliz.

3.Deixe de lado as disputas. A criança não é um prêmio e nem deve ser comprada com presentes e superproteção. “Encher a criança de mimos e presentes é a forma que alguns pais encontram de suprir sua ausência na vida dos filhos. Mas isto não auxilia na criação. O importante é estar presente na vida dos filhos e deixar os presentes para os momentos apropriados”, ressalta Gorete.

4. Destaque sempre que a criança não tem nenhuma culpa na separação dos pais. “Crianças pequenas costumam se culpar pelo divórcio, acreditando que se tivessem se comportado melhor o pai não teria saído de casa, por exemplo”, explica Gorete.

5. Não imponha a visita aos filhos.O pai ou mãe que ficar sem a guarda da criança não deve obrigar a criança a participar de visitas e passeios. “A idéia é tornar o processo de visita uma coisa natural. Não se deve obrigar o filho a visitar o pai naquela data e horário específico. É importante criar este hábito e este desejo na criança de forma tranqüila, sem imposições”, diz.

6.Os pais nunca devem jogar a responsabilidade da separação nas costas da criança. “Muitos pais que estão se separando chegam para o filho pequeno para dizer que ele agora é ‘o homem da casa’. Esse é um tipo de responsabilidade com a qual a criança não está preparada para lidar. O mesmo ocorre com aquela mãe que fica reclamando que está muito sozinha, exigindo do filho um suporte emocional que ele não é capaz de oferecer”, define a psicóloga.

7.Não faça substituições. O pai e a mãe de uma criança não devem ser substituídos por padrastos ou madrastas. Cada pessoa tem sua função no círculo familiar e tentar trocar os papéis pode confundir ainda mais a cabeça do pequeno.

8.Trate a criança como uma criança, dando muito amor, atenção e ressaltando que seu sentimento por ela nunca irá mudar por causa do divórcio.

Fonte: Humana Saúde

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