De vendedor de bananas a juiz de Direito: uma história de sucesso

Postado por: Editor NJ \ 30 de maio de 2014 \ 5 comentários


O clima de satisfação com o trabalho e a admiração que os servidores nutrem pelo magistrado, a quem estão subordinados, parecem ser tão robustos quanto o nome do setor onde estão lotados - Vara de Falências, Recuperações Judiciais, Insolvência Civil e Litígios Empresariais do Distrito Federal. A equipe, formada por doze servidores e dois estagiários, reconhece o dinamismo que leva o juiz titular da Vara, Edilson Enedino das Chagas, a despachar com rapidez os feitos e sabe que, por trás de todo o compromisso com a atividade jurisdicional e de uma singular competência que o credencia como professor de Direito Empresarial, existe uma história de vida que o faz respeitado como ser humano, além de profissional singular. O Juiz Edilson, 44 anos, que um dia vendeu bananas, tornou-se a motivação para os servidores que, com frequência, recebem elogios de jurisdicionados pelo diligente trabalho que executam.

Nascido em Brasília, filho de pai potiguar e mãe paraibana, Edilson teve, na invasão do Paranoá, sua primeira residência. Graças a um programa habitacional da extinta SHIS, a família conseguiu uma casa "zero quarto" no Gama. Aos dois anos, perdeu o pai, seu Pedro, que trabalhava como tratorista do GDF. A partir daí, a dona de casa Marlene passa a travar uma tremenda luta pela subsistência – sua e dos cinco filhos. Ao relatar esses tempos, o juiz Edilson pondera que, se não fosse a família unida, a igreja, a casa, a escola e o hospital públicos e também um programa alimentar do governo federal (LBA), talvez nem tivessem sobrevivido.

Era preciso ajudar a buscar o sustento e, aos oito anos, Edilson começa a fazer sua parte vendendo bananas. Aos nove, passa a vender picolés e, aos dez, torna-se jornaleiro. Aos doze anos, vai trabalhar como flanelinha e, aos catorze, como auxiliar gráfico. A diligência leva-o, aos quinze anos, a tornar-se auxiliar de mecânica, mas permanece, como já fazia antes, realizando qualquer trabalho braçal que consegue, sobretudo como ajudante de obra. Até então, poucos poderiam prever que o adolescente laborioso seria, um dia, o primeiro colocado no concurso de 1998 para Juiz de Direito – aliás, o primeiro morador do Gama a alcançar o feito.

Aos 17 anos, Edilson termina o 2º Grau em uma escola pública noturna e, no ano seguinte, realiza o curso de formação de fuzileiro naval da Marinha do Brasil. Em 1989, é aprovado e formado policial militar do DF e, dois anos depois, toma posse no Tribunal Superior do Trabalho, no cargo de Auxiliar Operacional de Serviços Diversos.

Foi entre os anos de 1991 e 1994 que uma brilhante carreira jurídica começou a ser delineada. Estudando em uma faculdade particular – na época não havia cotas para as universidades públicas federais – Edilson formou-se em Direito e, apenas um ano após a formatura, tornou-se fiscal do trabalho do DF. Em 1998, veio a conquista do primeiro lugar no concurso para Juiz de Direito e o início de sua trajetória no TJDFT. Passou por Varas Criminais e Cíveis, por Juizado Especial e Vara da Infância e Juventude, enriquecendo seu currículo e competência, inclusive trabalhando, entre 2009 e 2011, como Juiz Eleitoral em Samambaia. Em 2011, passou a atuar na Vara de Falência onde permanece até hoje.

O Juiz Edilson valoriza sua própria história e faz questão de lembrar, sempre, de onde veio. Em suas próprias palavras: “Entendo que importa muito mais quem está conosco do que aquilo que nos acontece. Deus, a família, os amigos, um Estado presente e atuante, uma igreja fraterna. Com essa fórmula, muita fé e honestidade, a vitória sempre chega”.

Fonte: TJDFT

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5 comentários:

  1. História motivadora. Orgulho de saber que ele compartilha essa história e tem orgulho. Ainda mais por demonstrar gratidão a Deus. Exemplo!

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  2. Amei ... um exemplo a ser seguido por muitos que não possuem a mesma garra que ele. Exemplo vivo do resultado de muita fé e trabalho.

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  3. "Faças da tua parte que Eu te ajudarei." Lembrei-me deste dito popular. Mas o Meritíssimo Sr. Juiz disse muito bem: “Entendo que importa muito mais quem está conosco do que aquilo que nos acontece. Deus, a família, os amigos, um Estado presente e atuante, uma igreja fraterna. Com essa fórmula, muita fé e honestidade, a vitória sempre chega”. É isso mesmo: família, amigos, igreja, confiança no contrato social na acepção pública e/ou privada parece ser a fórmula mágica. Mas, eu ainda entendo que falta um fator nesta fórmula, qual seja, A SORTE. E a sorte vem pelo convívio no seio da família; juntos aos amigos (dependendo de quais); junto à igreja (se dermos sorte também); junto ao convívio de relações interpessoais dentro das organizações de trabalho (públicas ou privadas, se dermos sorte também) e, ainda, aquela questão de estarmos no lugar certo na hora certa. Aí sim, a fórmula parece estar completa e a probabilidade de sucesso e progresso e grandiosa.

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  4. É importante tomar conhecimento de histórias de pessoas que com garra, com fé, foram a luta e venceram.

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