Advogado de CEO da Match será indiciado por facilitar fuga de Whelan

Postado por: Editor NJ \ 15 de julho de 2014 \ 0 comentários

A Polícia Civil do Rio vai indiciar Fernando Fernandes, advogado do CEO da Match, Raymond Whelan, por favorecimento pessoal, como mostrou a GloboNews na tarde desta terça-feira (15) (veja no vídeo acima). Segundo a polícia, o advogado ajudou o executivo a fugir do Copacabana Palace na quinta-feira (10), quando a polícia tentou cumprir um mandado de prisão preventiva contra o inglês, acusado de integrar a máfia da venda ilegal de ingressos da Copa.

Segundo o delegado Fábio Barucke, responsável pelo inquérito, há indícios de que o advogado deu todos os instrumentos para que Whelan, que já está preso, saísse do Copacabana Palace antes da prisão. Imagens de câmeras de segurança mostram os dois na área de funcionários do hotel, onde estava hospedada a delegação da Fifa, que cedeu à Match os direitos sobre a vende de ingressos. No vídeo, Fernandes parece orientar seu cliente. A saída ocorreu minutos antes de os policiais chegarem.

O advogado foi intimado para ir até a 18ª Delegacia de Polícia (Praça da Bandeira), mas não compareceu. Nesta terça, houve outra intimação e Fernandes é aguardado até esta quarta (16).
A assessoria de imprensa dele disse, às 15h20, que não sabia do indiciamento e que, nesta segunda, ao ser questionado sobre não ter comparecido à delegacia, Fernandes explicou que não iria ceder às pressões policiais. A assessoria disse ainda que iria tentar contato com o advogado para explicar a nova intimação e o indiciamento. Às 15h45, o advogado estava em uma reunião.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) informou, em nota, que solicitou a cópia dos autos do inquérito instaurado pela Polícia Civil para análise das providências cabíveis a serem tomadas pela entidade.

Inglês preso

Após três dias foragido, Whelan se entregou nesta segunda à Justiça do Rio, acompanhado de Fernandes. A defesa entrou com um pedido de habeas corpus, que será julgado em até 15 dias pela 6ª Câmara Criminal, segundo informações da assessoria do advogado.

Na tarde desta terça, Whelan permanecia em uma cela individual na Penitenciária Bandeira Stampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. De acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), quando a defesa apresentar o diploma universitário do executivo à Polinter, Whelan deverá ser transferido para a cadeia pública Pedrolino Werling de Oliveira, no mesmo complexo.

Defesa alega inocência

Fernando Fernandes nega que Whelan tenha qualquer ligação com atividade ilícita. “A relação que ele teve foi absolutamente legal e confirmada pela Fifa. Os demais detalhes estarão na defesa escrita que ele apresentará 10 dias após a defesa ter acesso à integralidade das ligações telefônicas”, disse o advogado.

Em nota, a Match Services voltou a dizer que não houve irregularidade e que pode "assegurar" que Whelan não cometeu "ato ilegal ou irregular". "Temos certeza de que isso será comprovado em breve pelas autoridades brasileiras", diz o texto (leia a íntegra da nota). O presidente da Fifa, Jospeph Blatter, disse que a entidade não tem responsabilidade sobre a venda ilegal de ingressos.

Três inquéritos

Na quinta-feira, a Justiça do Rio aceitou a denúncia contra os 12 acusados pelo MP-RJ e decretou a prisão preventiva de 11 deles. Apenas o advogado José Massih não teve a prisão decretada por ter colaborado com as investigações. Ele deixou a prisão na sexta-feira (11), quando terminou o prazo da prisão temporária, e responderá ao processo em liberdade. Todos vão responder pelos crimes de cambismo, organização criminosa, desvio de ingresso e corrupção ativa.

Segundo a Polícia Civil, Whelan fornecia à quadrilha ingressos da Copa, que eram revendidos ilegamente acima do preço real. Ainda segundo a polícia, a quadrilha era liderada pelo franco-argelino Mohamed Lamine Fofana.

Com o indiciamento do advogado, já são três inquéritos abertos no caso. O primeiro foi contra os 12 acusados de formar a quadrilha e já está com a Justiça. O outro vai apurar uma suposta lavagem de dinheiro, para descobrir para onde foram os recursos adquiridos com a máfia de ingressos, que chegava a lucrar R$ 1 milhão por jogo da Copa.

Fonte: G1

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