Advogado se passa por devedor e relata cobranças abusivas

Postado por: Editor NJ \ 5 de dezembro de 2014 \ 1 comentários

O advogado Ronaldo Gotlib defende endividados há 20 anos e resolveu se passar por devedor para verificar irregularidades praticadas no processo de cobrança de dívidas.

Gotlib contraiu propositalmente dívidas em um financiamento de veículo e na linha de empréstimo pessoal e descreveu a experiência em no livro virtual gratuito "O Advogado Devedor", lançado neste mês.

O advogado conta que a maior parte das cobranças é feita fora do âmbito da Justiça, geralmente por carta ou telefone, porque as ações judiciais de cobrança geram custos altos para os bancos.

Para driblar essas despesas, as instituições financeiras contratam empresas especializadas em cobrança, com “nomes pomposos e intimidadores”, conforme define o advogado.

Essas empresas se anunciam como representantes do banco e formam, na opinião do advogado, a "indústria da cobrança".

Para Gotlib, essas empresas terceirizadas fazem o “trabalho sujo” de “infernizar o devedor”. “Passei por muito estresse. Os devedores são tratados com injustiça apenas pelo fato de estar devendo, o que não é um crime”.

O advogado especialista em direito do devedor também é autor do livro "Dívidas? Tô Fora! – Um Guia para você sair do sufoco" , é presidente da Associação de Defesa de Direitos e de Pessoas em Situação de Endividamento e elaborou um Estatuto de Proteção ao Devedor, que pretende levar para análise no Congresso Nacional

Acompanhe abaixo os principais problemas encontrados pelo advogado "devedor":

Ligações ameaçadoras

No financiamento de veículo, cinco dias de atraso foram suficientes para a empresa de cobrança começar a ligar e pressionar o advogado a pagar os débitos.

Gotlib relata que as ligações são verdadeiras “torturas psicológicas” e que os cobradores tratam os devedores com uma intimidade desconcertante. "Os atendentes, a maioria jovens, geralmente me chamavam apenas pelo nome. Chegaram a perguntar quando caia meu salário e também a desligar sem me avisar”.

Os telefonemas foram recebidos durante quase toda a semana, de segunda a sábado, a partir das 8h da manhã. Cada ligação seguia o mesmo roteiro, e as perguntas eram repetitivas e insistentes.

Fonte: Exame

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