'Faço seu casamento gay de graça': campanha bomba na web após recomendação da OAB

Postado por: EditorNJ \ 14 de novembro de 2018 \ 1 comentários

A comissão da Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) alertou no início desse mês para que casais homossexuais antecipem seu casamento para até o final do ano, para garantir o direito antes da posse do novo governo. Essa recomendação não só aumentou a procura por casamentos homoafetivos, como também deu início a uma campanha nas redes sociais onde fornecedores se oferecem para prestar serviços de forma gratuita para a celebração.

O casamento entre pessoas do mesmo sexo não é lei no Brasil, mas desde 2013 uma decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) garante o direito ao casamento civil, realizado em cartório. Contudo, como o direito não foi debatido no Congresso, há um temor que o novo presidente venha a rever as regras. O deputado Magno Malta, aliado de Bolsonaro e cotado para chefiar um possível Ministério da Família, protocolou um Projeto de Lei que suspende o benefício concedido pelo CNJ. Como já noticiamos, o Portal do Senado inclusive abriu uma consulta pública a respeito.

O psicólogo João Burnier e o fotógrafo Henrique de Paiva tinham o plano de se casar no segundo semestre de 2019, mas resolveram antecipar. “Logo que ficou mais forte a possibilidade de uma vitória de Bolsonaro levantamos a possibilidade de antecipar. Na manhã seguinte de definido os resultados das eleições, fomos ao cartório ver quais eram os papéis necessário para dar entrada no casamento e na quinta-feira da mesma semana já fizemos os trâmites necessários”, explica João. Contudo, a decisão trouxe algumas mudanças para a celebração: “A família do Henrique é de outro estado e não teremos tempo hábil para toda a logística. Por isso, no dia do casamento fazermos apenas um brinde com as pessoas mais próximas”.

Mas, para quem tem a possibilidade de dar uma festa para celebrar o casamento, uma campanha nas redes sociais pode ajudar a realizar o sonho de fazer uma confraternização inesquecível. Para demonstrar seu apoio a causa e levantar o questionamento sobre a garantia de direito ao casamento homoafetivo, diversos fornecedores estão se oferecendo para trabalhar de graça em cerimônias que acontecerão ainda este ano. Motivado por essa onda nas redes sociais, o fotógrafo Marcio Monteiro se ofereceu para ajudar: “Não sou LGBT, mas por empatia eu tento me colocar no lugar das pessoas. Não é mais que minha obrigação ajudar e dar visibilidade de alguma forma, ainda mais com o que a possibilidade que se anuncia pela frente”.

Cantora e designer, Aline Nabisi foi outra que imediatamente aderiu a campanha quando viu nas redes sociais. “No momento em que publiquei minha participação em um grupo LGBT fui procurada por mais de dez pessoas. Já tenho compromisso marcados para as próximas semanas, como por exemplo uma reunião de produção para uma celebração coletiva e treinamento vocal para um menino que quer surpreender o companheiro”. Para ela a união civil é um direito básico do cidadão e nem deveríamos precisar debater esse tema. “Vivemos em uma sociedade que aceita o consumo, impostos e voto LGBT, mas se nega a dar os mesmos direitos”, completa.

Os dois fazem questão de destacar que a campanha em apoio ao casamento homoafetivo tem superado as expectativas, muito mais pela força da união em ajudar ao próximo do que até mesmo na procura por conseguir ser beneficiado. “O mais legal e que tem mais gente querendo ajudar do que pessoa procurando pela ajuda. Acho que isso é o mais significativo. Esse movimento mostra que o amor tem muita mais força, que se multiplica de forma muito mais orgânica e humana do que a energia ruim”, finaliza Marcio.

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Um comentário:

  1. Antes de mais nada não houve qualquer "alerta" da Comissão de Diversidade Sexual, o que de fato ocorreu foi uma publicação irresponsável sem qualquer posicionamento com claro objetivo sensacionalista, que certamente não reflete a posição oficial da OAB e de seus membros que juraram defender o direito de TODOS, volto a afirmar que não haverá qualquer retrocesso nos direitos conquistados pelo população LGBTI+

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