Senadores gastam até R$ 950 (ou um salário mínimo) numa única refeição

Postado em 4 de junho de 2019 \ 1 comentários

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) gastou R$ 32 mil com alimentação no ano passado – uma média de R$ 2,7 mil por mês. Do total gasto, quase R$ 12 mil custearam 44 refeições em São Paulo. A conta, claro, ficou para o contribuinte. As mais caras foram feitas nos luxuosos restaurantes Cavour, Amadeus e Nakka, com preços beirando R$ 600. Isso é possível porque as normas flexíveis do Senado Federal não impõem limite para o valor de uma refeição e permitem até que os senadores ofereçam banquetes a correligionários, lideranças políticas e jornalistas.

"Em Brasília, as despesas de Nogueira foram ainda maiores. Exatos R$ 14,8 mil. Só no Marcelo Petrarca Restaurante foram R$ 2,8 mil por seis refeições, a mais cara no valor de R$ 743, em 29 de março. No feriado de 21 de abril, mais uma conta de R$ 562 no restaurante Mezzaluna, em Ipanema, Rio de Janeiro. Apenas R$ 3 mil foram gastos no Piauí. A maior despesa no estado foi no Favorito Grill – R$ 719.

"No feriado de 12 de outubro, Nogueira fez um tour gastronômico em São Paulo. No dia 11, pegou uma nota de R$ 472 no Amadeus. No feriado, gastou R$ 581 no Nakka e R$ 594 no Cavour. Mas ainda tem os custos das passagens Brasília/São Paulo e São Paulo/Rio, onde passou o final de semana – mais R$ 2,6 mil, também pagos pelo Senado. O senador tem preferência pelos restaurantes do bairro nobre Cerqueira César. Frequentou sete restaurantes nesse no ano passado. Mas também esteve nos Jardins, Jardim Paulista, Jardim Europa.

Reportagem publicada na semana passada neste blog já havia mostrado que o senador do Piauí é campeão de gastos com viagens ao exterior: foram R$ 98 mil ao todo, dos quais R$ 73 mil em passagens aéreas.

A reportagem enviou ao gabinete de Ciro Nogueira a relação dos seus maiores gastos e os valores totais reembolsados em 2017, solicitando a justificativa para cada uma das despesas, principalmente aquelas feitas em São Paulo e Rio de Janeiro. Não houve resposta até a publicação desta reportagem.

Normas abrem brecha para banquetes

A norma do Senado que abre brechas para a gastança prevê o reembolso de refeições “quando em compromisso de natureza política, funcional ou de representação parlamentar”. Isso permite praticamente tudo, ressalvados os atos de caráter eleitoral. A verba de alimentação cobre, portanto, despesas com terceiros. Os gastos estão dentro da cota para o exercício da atividade parlamentar.

"O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) gastou R$ 18 mil no restaurante KSK Comidas Caseiras, em Belém, no ano passado. Desde 2015, as despesas chegaram a R$ 54 mil. Muitas das notas ficam em torno de R$ 700 a R$ 800, mas pelo menos uma chegou a R$ 950 – valor equivalente a um salário mínimo, reajustado para R$ 954 em janeiro de 2018. Segundo a assessoria do senador, “os valores indicados se referem aos gastos com alimentação do senador e de terceiros que, semanalmente, se reúnem com o senador em compromissos de natureza política”.

Em 30 de julho, o senador José Medeiros (PODE-MT) cumpria agenda no seu estado para debater a extinção da imunidade tributária de igrejas, acompanhado do senador Magno Malta (PR-ES). O jantar com a imprensa local, na Lelis Peixaria, em Cuiabá, na companhia de assessores, custou R$ 814, pagos pelo Senado. O gabinete do senador afirmou que o jantar foi “um claro compromisso de natureza de representação parlamentar”, de acordo com as normas da Casa.

Em outra agenda, em 16 de janeiro, Medeiros participou de almoço com lideranças comunitárias locais, onde tratou de investimentos em infraestrutura e logística para o escoamento da produção de grãos. A refeição na Churrascaria Boi Grill – R$ 691 – foi espetada na conta do Senado, ou seja, do contribuinte.

O amante da costela

O senador Zezé Perrella (PMDB-MG) tem uma predileção por costela. No ano passado, gastou ao todo R$ 4 mil na costelaria Monjardim, no bairro de Lourdes, em Belo Horizonte. A conta mais cara ficou por R$ 780.

As maiores despesas da senadora Lúcia Vânia (PSB-GO) foram feitas em Brasília. Ela apresentou notas de R$ 540 no Tessier Restaurante, R$ 539 no Domine Wine e R$ 622 no GM Ribeiro da Costa. Só no Tessier ela consumiu R$ 2,8 mil no ano passado.

Fonte: gazetadopovo.com.br

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Um comentário:

  1. Enquanto sinto vergonha em ver um eleito pelo povo, que ganha míseros salärios mínimos mensais pagando uma conta de elite para um aspirante a ditador, e legítimo corrupto... Logo penso no estado de inércia em que se encontra o povo Brasileiro, frente a outras nações do mundo, não é possível que um sistema tão algoz, tão corrupto, que faz a farra com o dinheiro público e nada acontece. O nível da cobiça é tão grande que aquele que entra para defender, já entra com o gene da corrupçåo extremamente desenvolvido. Por que senhores senadores, Deputados, juízes... Porque você é não caem na real, e pensem que o valor do seu prato dia tem que alimentar uma família por um mês... E que o pior ainda é que essa família paga o seu almoço requintado e luxuiso. Expresso aqui minha indignação...indigestos.

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