Filho de peão em fazenda, juiz do DF dormia em escola para não perder aula

Postado em 29 de junho de 2019 \ 0 comentários

Foi árduo o caminho até que Fábio Esteves (foto em destaque), 39 anos, assumisse o cargo de juiz titular do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Nascido em Mato Grosso do Sul, o filho de trabalhador rural e empregada doméstica não imaginava que escolheria sua carreira a partir de texto escrito em um manual de profissões. Mas ele sabia que não bastaria apenas vontade para se tornar magistrado: era preciso dedicação e muita luta.

Esteves, que preside a Associação dos Magistrados do Distrito Federal e Territórios (Amagis-DF), foi criado por pais que não tiveram acesso a educação, mas, mesmo assim, reconheciam a importância do ensino para a formação dos filhos. O pai, José Francisco Esteves, era analfabeto. A mãe, Rosa Vilma Esteves, só cursou até o 5º ano.

Nascidos e criados no nordeste de Minas Gerais, José e Rosa sofreram com a falta de oportunidades de emprego na região e rumaram para Mato Grosso do Sul, onde, no interior, encontraram trabalho e abrigo em uma fazenda. O local, no entanto, não oferecia estrutura aos filhos. “Não tinha colégio nas proximidades. A fazenda ficava muito no interior. Meu pai precisou ir até o prefeito para pedir a criação de uma escola rural.”

O pedido foi atendido e a escola rural, construída. Mas as dificuldades não acabaram. Fábio Esteves ingressou na unidade educacional apenas aos 7 anos e era um dos vários alunos da turma multisseriada do colégio. “Era uma professora dando aula para vários alunos, não tinha bem uma divisão. Fui alfabetizado aos 8 anos. Precisava ir para a escola a cavalo, de trator ou quando a professora podia me dar uma carona.”

Em decorrência da distância entre a fazenda onde seus pais trabalhavam e o colégio rural e da dificuldade de locomoção, Fábio e os irmãos se viram obrigados a residir dentro da própria escola para não faltarem às aulas.

“A gente morava dentro do colégio mesmo, na sala de aula. Era muito longe para meu pai nos levar todo dia, então ele implorou para que a professora cuidasse de nós, tudo para não perdermos nada. Quando a aula acabava, era arrumar o local e se preparar para dormir”, relembra Fábio.

O cenário mudou em 1991, quando precisaram se mudar para a cidade de Chapadão do Sul (MS). No município, que atualmente tem cerca de 23 mil habitantes, um episódio dificultou ainda mais a vida de Fábio e da família: o falecimento de seu pai. “Fomos para lá morar em um barraco. Quando ele morreu, minha mãe teve que virar empregada doméstica e eu precisei ir atrás de um emprego. Fui aprovado e ingressei em um programa de assistência a jovens carentes do Banco do Brasil. Com minha remuneração, ajudava em casa”, conta Fábio.

Fonte: metropoles.com

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