Golpe bilionário: Advogado que lesou mais de 30 mil clientes é excluído da OAB

Postado em 2 de julho de 2019 \ 0 comentários

O advogado Maurício Dal Agnol foi afastado dos quadros da seccional Rio Grande do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS) e não pode mais exercer a profissão. A decisão é da última sexta-feira (28), e foi confirmada nesta segunda (1ª) à RBS TV pela Associação das Vítimas de Maurício Dal Agnol. Procurada, a ordem não quis se manifestar, uma vez que o processo é sigiloso.

Dal Agnol já estava suspenso cautelarmente, desde que passou a ser investigado por aplicar um golpe bilionário em mais de 30 mil clientes. Cerca de R$ 2,8 bilhões foram rastreados pela Polícia Federal nas contas do investigado.

Da decisão, cabe recurso ao Conselho Federal dos Advogados, em Brasília, conforme o estatuto da OAB. O G1 entrou em contato com o advogado de Dal Agnol e aguarda retorno.

Ele já estava suspenso cautelarmente. Agora, se tentar exercer a profissão ou se cadastrar novamente em qualquer seccional do país, poderá responder por exercício ilegal da profissão.



Relembre o caso
Segundo investigações da Polícia Federal, o advogado entrava na Justiça em nome dos clientes contra a empresa de telefonia que, em 1996, comprou a antiga Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações (CRT).

Eles tinham direito a ações da companhia, mas Dal Agnol não repassava os valores aos clientes, ou repassava em parte. O investigado chefiava um grupo de advogados e contadores que tramavam os golpes, diz a Polícia Federal.

O esquema armado pelo ex-advogado foi revelado pela PF em fevereiro de 2014, quando foi deflagrada a Operação Carmelina. A operação foi batizada com o nome de uma mulher que teve cerca de R$ 100 mil desviados no golpe. Segundo a PF, ela morreu de câncer, e poderia ter custeado um tratamento eficaz com o dinheiro.

Dal Agnol passou um tempo foragido no exterior. No final de maio daquele ano, obteve um habeas corpus e, no mês seguinte, se apresentou à Justiça de Passo Fundo. Em setembro de 2014 foi preso após a PF suspeitar que ele havia articulado uma possível fuga. E, em maio de 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) permitiu que ele respondesse aos processos em liberdade.

Ao cumprir mandados de busca na cidade do Norte do Rio Grande do Sul, a Polícia Federal encontrou um total de R$ 1,5 milhão em um dos endereços do suspeito. Além da quantia, animais selvagens empalhados e munição foram achados em um fundo falso de uma parede. A PF apreendeu também um avião avaliado em cerca de US$ 8,5 milhões e bloqueou dinheiro em contas bancárias e imóveis.

No total, a PF estima que R$ 2,8 bilhões tenham passado pelas contas de Dal Agnol, entre 2011 e 2015. Na época, foi apurado que ele possuía 950 imóveis.

No ano passado, por decisão do STF, as ações criminais contra o ex-advogado foram retomadas, após suspensão.

Fonte: G1

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