Mulher não indenizará por responder post de deputado com emoji de rato

TJ/DF entendeu que a livre manifestação do pensamento não pode ser usada para amparar condenação por danos morais.

04/07/2022 13h59

A 1ª turma Cível do TJ/DF acatou, por unanimidade, recurso apresentado por uma usuária do Instagram que foi condenada a indenizar por danos morais o deputado federal Maurício Alexandre Dziedricki após responder um post dele na rede social com um emoji de roedor. O colegiado entendeu que a mulher apenas fez uso da sua liberdade de pensamento e expressão.

O deputado afirmou que exerce cargo público e que a ré teria ofendido sua honra e imagem ao chamá-lo de "rato liso", por não haver comparecido a uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania em que seria votada a proposta de emenda constitucional 410, tema que, segundo o parlamentar, era de seu interesse e de sua base eleitoral.

Na primeira instância, a mulher foi condenada ao pagamento de R$ 5 mil em danos morais ao deputado. No recurso, afirmou que a publicação não tinha o objetivo de ofender a honra do autor e que a manifestação foi exposta no regular exercício de seu direito constitucional de representatividade e crítica política, em sua conta pessoal e privada do Instagram. Alegou que o emoji de rato foi usado em alusão aos termos "ratão" e "rateada", os quais, na gíria regional, possuem o significado de "vacilão" e "vacilo", tratando-se de figura de linguagem.

Ao analisar o caso, a desembargadora relatora verificou que restou comprovada a ausência do autor, em exercício de cargo político de deputado federal, em sessão de votação de projeto de lei em tema de interesse de sua base eleitoral.

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Assim, na visão da magistrada, "não há como ser imposto à ré, independentemente do motivo da ausência, que se conforme com os esclarecimentos prestados pelo parlamentar e, por consequência, abstenha-se de tecer críticas de cunho eminentemente político, fundadas estritamente em sua insatisfação quanto à não participação do parlamentar em votação de projeto de relevante interesse em comum".

Além disso, a julgadora verificou que foi devidamente esclarecido e comprovado pela apelante que o uso da figura representativa do rato se deu em substituição à gíria regional equivalente ao termo "vacilo".

"O parlamentar, em razão do exercício de mandato outorgado por seus eleitores, deve ser considerado pessoa pública e está, naturalmente, mais suscetível às críticas, por vezes, ácidas, acaloradas e permeadas por metáforas."

Segundo entendimento do colegiado, somente nos casos em que há abuso do direito de crítica, com o desvirtuamento dos fatos, de forma a causar abalo psíquico ou moral e afetar diretamente a honra ou a imagem do indivíduo, é cabível indenização por danos morais.

Diante disso, os desembargadores concluíram que não há como ser considerada ilícita ou abusiva a manifestação de pensamento da ré, mas exercício regular dos direitos à liberdade de pensamento e de expressão, da cidadania e de representatividade política, insuscetível de causar abalo de ordem moral.

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Processo: 0730797-45.2020.8.07.0001

Link original da matéria: https://www.migalhas.com.br/quentes/368944/mulher-nao-indenizara-por-responder-post-de-deputado-com-emoji-de-rato

Fonte: Migalhas

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