XVIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO - 2ª FASE

Prova aplicada em 17/01/2016

Direito Penal

Questão 1

No dia 02 de março de 2008, Karen, 30 anos, funcionária do caixa do Supermercado Rei, subtraiu para si a quantia
de R$ 700,00 (setecentos reais) do estabelecimento, ao final de seu expediente. No dia seguinte, percebendo a
facilidade ocorrida no dia anterior, Karen voltou a subtrair determinada quantia do caixa do supermercado. Ainda
na mesma semana, a funcionária, com o mesmo modus operandi, subtraiu, por mais duas vezes, valores
pertencentes ao estabelecimento comercial. Ocorre que as condutas de Karen foram filmadas e os vídeos foram
encaminhados para o Ministério Público, que ofereceu denúncia pela prática do crime descrito no Art. 155, § 4º,
inciso II, do Código Penal, por quatro vezes, na forma do Art. 71 do mesmo diploma legal. Em 20 de abril de 2008
a denúncia foi recebida, tendo o feito seu regular processamento, até que, em 25 de abril de 2012, foi publicada
decisão condenando Karen à pena final de 02 anos e 06 meses de reclusão e 12 dias multa, substituída por
restritiva de direitos. Para cada um dos crimes foi aplicada a pena mínima de 02 anos de reclusão e 10 dias multa,
mas fixou o magistrado a fração de 1/4 para aumento da pena, em virtude do reconhecimento do crime
continuado. As partes não interpuseram recurso de apelação.

Considerando que não existe mais possibilidade de interposição de recurso da decisão, responda aos itens a
seguir.

A) Qual a tese defensiva a ser alegada, de modo a impedir que Karen cumpra a pena que lhe foi aplicada?
Fundamente. (Valor: 0,65)

B) Quais as consequências jurídicas do acolhimento dessa tese? Aquela condenação poderá ser considerada para
efeito de reincidência futuramente? (Valor: 0,60)

Obs.: o examinando deve fundamentar suas respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.

Padrão de Resposta

A) A questão exige do candidato conhecimento do tema da prescrição. Foi narrada, na hipótese, a condenação
de Karen por quatro crimes de furto qualificado, sendo de 02 anos a pena definitiva de cada um deles.
Reconhecida a continuidade delitiva, a pena final fixada foi de 02 anos e 06 meses de reclusão.
Prevê o Art. 119 do Código Penal que, em caso de concurso de crimes, a análise da prescrição deverá ser feita
sobre a pena de cada um dos crimes isoladamente. Assim, no caso, a prescrição deveria considerar a pena
aplicada de 02 anos para cada um dos delitos, não de 02 anos e 06 meses. A pena fixada entre 01 e 02 anos
prescreverá em 04 anos, na forma do Art. 109, V, do Código Penal. Entre o recebimento da denúncia e a
publicação da sentença condenatória, foram ultrapassados mais de 04 anos; logo, ocorreu a prescrição da
pretensão punitiva do Estado.

Diante do exposto, a tese defensiva a ser alegada é a ocorrência da prescrição da pretensão punitiva do Estado
em sua modalidade retroativa.

B) A consequência jurídica do acolhimento da tese é o reconhecimento da extinção da punibilidade de Karen,
na forma do Art. 107, inciso IV, do Código Penal. Além disso, considerando que a prescrição foi da pretensão
punitiva, essa condenação não gerará qualquer efeito, não podendo funcionar como maus antecedentes,
reincidência ou título executivo na esfera cível.